quarta-feira, 13 de junho de 2012

Embrapa comemora bons resultados de testes de campo com feromônios no controle de percevejos-praga da soja:

Matéria publicada sobre controle de percevejos da soja através de feromônios, destacam a evolução em pesquisa realizade pelo Pesquisador Miguel Borges da Embrapa. Créditos: Embrapa Testes de campo realizados pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) em Rondonópolis (MT), no período de janeiro a março de 2012, mostraram que a utilização de armadilhas à base de feromônios sexuais em lavouras de soja é uma boa estratégia para monitorar e controlar as populações de percevejos que atacam essa cultura, especialmente o percevejo marrom. A iniciativa é resultado do projeto Rede Nacional de Ecologia Química (Repensa), liderado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, que reúne outras unidades da Embrapa, instituições brasileiras e internacionais com o objetivo de estudar a comunicação química entre seres-vivos (insetos, plantas e animais pecuários) e utilizar esses conhecimentos em prol do controle biológico de pragas agrícolas. A organização do Projeto em rede permite o compartilhamento de conhecimentos e equipamentos entre grupos com diferentes especialidades, maximizando o potencial de cada grupo e permitindo o alcance de resultados de forma mais dinâmica e precisa. Graças à essa união de saberes, foram realizados os testes de campo no Mato Grosso. Nesses ensaios, armadilhas à base de feromônios desenvolvidas pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia em parceria com a ISCA Tecnologias foram testadas pela Fundação MT na Fazenda Guarita na localidade de Rondonópolis com bons resultados. Segundo a pesquisadora da Fundação MT, Lúcia Vivan, os testes de campo foram conduzidos em duas áreas de 25 hectares cada, sendo uma com as armadilhas à base de feromônios (oito armadilhas com distância de 200 metros entre elas) e a outra com a metodologia de amostragem chamada de "pano de batida". O monitoramento realizado com as armadilhas de feromônios detectou população de percevejo marrom mais precoce e em maior número do que as amostragens realizadas com "pano de batida". Isso é um bom resultado para o monitoramento e controle dessa praga, explica Vivan. "Quanto antes detectarmos as populações de percevejos, mais cedo podemos iniciar o controle". Os resultados obtidos pelos testes de campo mostraram que o controle mais precoce propiciado pela utilização de feromônios impacta diretamente a produtividade nas lavouras de soja, já que o percevejo marrom é uma das piores pragas dessa cultura no Brasil. O inseto se alimenta diretamente nos grãos, causando sérios prejuízos no rendimento e na qualidade das sementes, como baixo vigor e menor teor de óleo. Segundo a pesquisadora, a área com as armadilhas apresentou maior produtividade e menor quantidade de sementes danificadas. Ela explica que em 2013, outros testes serão feitos em novas áreas no estado do Mato Grosso. Embrapa investe em pesquisas com feromônios desde a década de 90 O Laboratório de Semioquímicos da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, liderado pelo pesquisador Miguel Borges (foto acima), desenvolve estudos com os semioquímicos (feromônios e cairomônios) das diferentes espécies de percevejos da soja desde 1990 para controle e monitoramento de percevejos que atuam como pragas na cultura da soja no Brasil. Os feromônios são os mais importantes elementos da comunicação entre os insetos. São substâncias químicas de cheiro peculiar, presentes em cada espécie, que atuam como meios de comunicação. Na natureza, os feromônios são responsáveis pela atração de indivíduos da mesma espécie para acasalamento, demarcação de território e outros tipos de comportamento. Os cientistas reproduzem, em laboratório, as condições observadas na natureza para monitorar o comportamento dos insetos-praga e interromper a sua reprodução. A soja é uma das principais culturas agrícolas do Brasil, com uma produção de 68 milhões de toneladas, envolvendo 16 estados e uma área superior a 23 milhões de hectares. O percevejo da soja é uma das pragas mais nocivas a essa cultura de norte a sul do Brasil e também em outros países, como Argentina e Estados Unidos. Hoje a tecnologia existente para monitoramento e identificação da presença de percevejos nas lavouras de soja é a técnica do pano de batida, que além de exigir mão-de-obra qualificada, demanda tempo dos técnicos envolvidos no monitoramento e, por isso, não é muito utilizada pelos produtores, especialmente em plantios extensivos. As armadilhas desenvolvidas a partir de feromônios facilitam o monitoramento dos percevejos nas lavouras de soja, pois as capturas são especificas à praga-alvo, exigindo somente que o produtor conte o número de insetos. "O que se espera no futuro é que o produtor espalhe as armadilhas na área cultivada e faça inspeções semanais em busca de percevejos. Sempre que o número de insetos alcançar uma quantidade pré-determinada, a aplicação de inseticida será recomendada, de forma a aumentar a efetividade do controle e, o mais importante: diminuir o número de aplicações de pesticidas, o que protege o bolso do agricultor e o meio ambiente", afirma o pesquisador Miguel Borges, que também é coordenador da Rede. Segundo ele, a Embrapa e a ISCA Tecnologias vão investir em novos testes de campo na próxima safra da soja, visando não apenas ao monitoramento, como também ao controle da população de percevejos com a utilização de feromônios nas diferentes regiões produtoras. "O processo consistirá em concentrar a população de percevejos em uma determinada área, denominada área ou cultura armadilha, na qual serão aplicadas medidas de controle", explica Borges. Rede Repensa vai resultar em banco de semioquímicos à disposição da pesquisa agropecuária brasileira O objetivo final da Rede Repensa, de acordo com o pesquisador, é organizar um banco de semioquímicos, proteínas e genes envolvidos na comunicação química de plantas, animais e insetos, para tornar mais eficiente o processo de desenvolvimento de tecnologias baseadas nessas moléculas. Por isso, as pesquisas estão sendo realizadas em nível básico -- para compreender os mecanismos naturais de interação inseto-inseto, inseto-planta e inseto-mamífero -- e em nível aplicado, como o teste de campo de Rondonópolis, entre outras ações em conjunto entre as instituições envolvidas. Segundo o pesquisador, os semioquímicos ocupam hoje cerca de 30% do mercado de biopesticidas no mundo, perdendo apenas para os inseticidas bacterianos e os botânicos. No Brasil, o mercado de semioquímicos está em franca expansão, com mais de 15 produtos registrados e outros em fase de registro. "Com esse Projeto, esperamos contribuir para a sustentabilidade da agricultura no Brasil", finaliza Borges. Participam da Rede as seguintes unidades da Embrapa - Pecuária Sul; Arroz e Feijão; Pecuária Sudeste; Amazônia Ocidental e Clima Temperado -- as universidades: Estadual de Mato Grosso (Unemat); de Brasília (UnB); Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Federal de Lavras (UFLA); Federal de São Carlos (UFSCar); Federal de Goiás (UFG), além de instituições brasileiras - Fundação MT; Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) na Bahia; Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) - e internacionais: USDA/ARS-Chemicals, Affecting Insect Behavior Laboratory e Rothamsted Research-Chemical Biological Group. FONTE Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Fernanda Diniz - Jornalista Telefones: (61) 3448-4769 e 3340-3672

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Paraná vai sediar encontro nacional sobre agrotóxicos

O Paraná vai sediar, pela primeira vez, o 10º Encontro de Fiscalização e Seminário sobre Agrotóxicos (Enfisa), que vai reunir representantes de 27 estados brasileiros das áreas de Agricultura, Saúde, Meio Ambiente, além de representantes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea). O encontro vai acontecer entre os dias 18 e 21 de junho, em Curitiba. Os representantes da comissão organizadora reuniram-se nesta quarta-feira (30) com o presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Inácio Kroetz, para acertar os preparativos do evento. O Enfisa é realizado uma vez por ano com o objetivo de harmonizar as legislações e os procedimentos referentes à fiscalização de agrotóxicos de todos os estados do Brasil. O evento se realiza por meio de uma parceria entre os setores público e privado. A cada ano o trabalho vai se aprimorando, com a participação efetiva dos fiscais agropecuários e dos profissionais das indústrias de agrotóxicos. Para Luís Eduardo Pacifici Rangel, coordenador-geral do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas do Ministério da Agricultura, o Paraná foi escolhido devido à liderança que exerce na área de acompanhamento do uso de agrotóxicos. “O Paraná é um dos estados agrícolas mais importantes do País, então, nada melhor que o décimo encontro nacional aconteça aqui, justamente no ano de criação da Adapar”, disse Luis Rangel. “É uma forma de valorizar o trabalho dos técnicos da Adapar, uma vez que o Estado é modelo e de forma eficiente cumpre seu papel e serve de inspiração para outros Estados”, afirmou. No final do encontro será apresentada uma série de metas a cumprir até o próximo encontro, em 2013. Segundo Rangel, são metas de fiscalização, de avaliação da qualidade dos insumos e de revenda dos agrotóxicos, a necessidade de envolvimento de outros setores no sistema, entre outras. Os trabalhos serão divididos em três componentes: curso sobre agrotóxicos, aberto à comunidade para atualização profissional; seminário sobre agrotóxicos, também aberto à comunidade; e encontro de fiscalização, voltado para representantes dos órgãos estaduais, federais e Creas. O setor privado poderá participar de todas as etapas do evento, incluindo o encontro de fiscalização, sendo representado por instituições ligadas ao setor. Agência Estadual de Notícias - Paraná

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Pesquisa da Unicamp desvenda ponto fraco da vassoura-de-bruxa

A estratégia usada pela praga vassoura-de-bruxa - principal doença que afeta a produção de cacau no país - para resistir ao ataque da planta hospedeira e aos mais potentes fungicidas do mercado foi desvendada por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A descoberta, publicada na revista New Phytologist, abre caminho para o desenvolvimento de novas drogas capazes de combater a doença de forma efetiva.

Causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, a vassoura-de-bruxa tem esse nome porque deixa os ramos do cacaueiro secos como uma vassoura velha. As áreas afetadas não conseguem realizar fotossíntese e, para piorar, liberam substâncias tóxicas que diminuem a produção de frutos. Os poucos frutos produzidos se tornam inviáveis para a fabricação de chocolate.

"Na fase inicial da infecção, a planta tenta deter a ação do invasor liberando grandes quantidades de óxido nítrico (NO), substância capaz de bloquear a cadeia respiratória do fungo. Mas descobrimos que a vassoura-de-bruxa possui um mecanismo alternativo de respiração que lhe permite resistir a esse ataque", explicou Gonçalo Amarante Guimarães Pereira, coordenador do Laboratório de Genômica e Expressão da Unicamp, onde a pesquisa foi conduzida.

Ironicamente, a própria planta acaba sofrendo os efeitos tóxicos do NO. Os galhos infectados morrem e viram banquete para a M. perniciosa. "O fungo tem uma fase biotrófica, na qual vive dentro da planta ainda viva, e outra necrotrófica, em que se alimenta do tecido morto", disse Pereira.

A equipe coordenada pelo pesquisador descobriu que, durante a fase biotrófica, quando está sob o ataque da planta, a vassoura-de-bruxa produz uma enzima chamada oxidase alternativa. Essa proteína lhe permite gerar uma quantidade mínima de energia e garante sua sobrevivência.

"Nesse período o fungo praticamente não cresce, pois a energia disponível é pequena, mas ele consegue resistir ao ataque", disse Pereira.

Quando a planta finalmente dá a batalha por vencida, envia sinais para as células do galho infectado se suicidarem - processo conhecido como apoptose. Como o óxido nítrico deixa de ser liberado, o fungo desliga o mecanismo alternativo de respiração e entra na fase necrotrófica, passando a devorar vorazmente o tecido morto.

Em duas frentes

Os cientistas tiveram então a ideia de testar uma combinação de princípios ativos - azoxistrobina e ácido salicil-hidroxâmico - capazes de inibir simultaneamente os dois mecanismos respiratórios da praga.

"Observamos que quando a respiração principal é bloqueada pela azoxistrobina e a respiração alternativa se mantém, o fungo permanece na fase biotrófica. Mas, quando combinamos essa droga com um inibidor da oxidase alternativa, o fungo cessa completamente seu crescimento", contou Pereira.

Embora tenha se mostrado promissora nos testes de laboratório, essa combinação de moléculas não pode ser usada como um fungicida comercial. "A fórmula é altamente instável e se degrada com facilidade. E isso inviabiliza o uso no campo", disse.

A equipe agora trabalha, em parceria com a fabricante de defensivos agrícolas Ihara, para achar uma molécula com ação semelhante e capaz de se manter estável por longos períodos de prateleira.

"Temos a oportunidade de criar um produto realmente eficaz para fungos tropicais. Hoje não existe fungicida assim em nenhum lugar do mundo. É algo de grande importância tecnológica", avaliou Pereira.

Testes promissoras como a ferrujem da soja e do café

Os pesquisadores estão testando a mesma combinação de moléculas capaz de bloquear a enzima oxidase alternativa contra outras espécies de fungos tropicais, como a ferrujem da soja e do café. "Os resultados em laboratório indicam que estamos na direção certa", disse.

Realizada com financiamento da Fapesp, a pesquisa faz parte do projeto de doutorado de Daniela Paula de Toledo Thomazella e Paulo Teixeira , e está sendo realizada no âmbito do Projeto Temático "Estudo integrado e comparativo de três doenças fúngicas do cacau -- vassoura-de-bruxa, monilíase e mal do facão -- visando à compreensão de mecanismos de patogenicidade para o desenvolvimento de estratégias de controle", coordenado por Pereira.

Os esforços brasileiros para elucidar o mecanismo de ação da doença que há mais de duas décadas afeta drasticamente a produção de cacau no Brasil começaram por volta do ano 2000, com o mapeamento do genoma da M. perniciosa.

Quando chegou ao sul da Bahia, em 1989, provavelmente vinda da região amazônica, a vassoura-de-bruxa fez com que a produção nacional caísse de aproximadamente 400 mil toneladas ao ano para pouco mais de 120 mil. O Brasil, antes um dos maiores exportadores de cacau, passou a importar sementes de países como a Indonésia, com qualidade inferior.

Atualmente, a doença está presente em todos os países produtores de cacau da América Central e do Sul.

FONTE

Agência Fapesp
Karina Toledo - Jornalista
Telefone: ( 55) 11 3838-4000
Fax: ( 55) 11 3838-4117
E-mail: agencia@fapesp.br

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Agricultor não tem acesso a 50% dos agrotóxicos registrados

Cerca de 50% de todos os agrotóxicos registrados no Brasil não são colocados à disposição dos agricultores. É o que apontam os dados divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nesta quarta-feira (11/4), durante 2º Seminário Mercado de Agrotóxicos e Regulação, em Brasília (DF). Além disso, 24% das empresas de agrotóxicos instaladas no Brasil não produziram, nem comercializaram nenhum produto durante a última safra. “Além de apontar para uma estratégia de reserva de mercado, essa prática representa uma perda para os agricultores, que são privados de ter acesso aos produtos registrados”, afirma o diretor da Anvisa, Agenor Álvares.

Outro ponto destacado no estudo é que 53% das empresas de agrotóxicos instaladas no Brasil não possuem fábrica. “São empresas que atuam como verdadeiros escritórios de registro, sendo responsáveis pelo aumento do entulho burocrático, sem agregar nenhum benefício para a sociedade”, constata o diretor da Agência. Na avaliação do coordenador do Observatório da Indústria de Agrotóxicos, Victor Pelaez, o registro de um produto agrotóxico agrega valores intangíveis ao patrimônio das empresas. “O registro é a menor barreira para a entrada de produtos no mercado, tendo em vista que a estrutura deste mercado não muda”, ponderou Pelaez.

Na última safra, que envolve o segundo semestre de 2010 e o primeiro semestre de 2011, o mercado nacional de venda de agrotóxicos movimentou 936 mil toneladas de produtos. A produção gerou 833 mil toneladas de agrotóxicos e a importação foi de 246 mil toneladas de produtos. Os dados apontaram, ainda, que 90% da produção nacional de agrotóxicos foram de produtos formulados, ou seja, agrotóxicos prontos para serem utilizados na agricultura. Os outros 10% corresponderam a produtos técnicos, que são os ingredientes utilizados na formulação dos agrotóxicos. “Isso significa dizer que a grande maioria das indústrias de agrotóxicos instaladas no Brasil apenas envasam matéria prima vinda de outros países”, explica o diretor da Anvisa.

 De acordo com a pesquisa, existem uma concentração do mercado de agrotóxicos em determinadas categorias de produtos. Os herbicidas, por exemplo, representaram 45% do total de agrotóxicos comercializados. Os fungicidas foram 14% do mercado nacional, os inseticidas 12% e as demais categorias de agrotóxicos 29%. Quando comparadas às vendas por ingredientes ativos, o glifosato lidera o ranking, com uma fatia de 29% do mercado brasileiro de agrotóxicos. Já o óleo mineral possui 7% e o 2,4D e atrazina 5% cada. O estudo divulgado pela Anvisa analisou a movimentação de 96 empresas de agrotóxicos instaladas no Brasil, que juntas representam quase 100% do mercado nacional. Atualmente, existem 130 empresas de agrotóxicos no país.

No Brasil, as dez maiores empresas de agrotóxicos foram responsáveis por 75% do mercado de venda, na última safra. No que diz respeito à produção, esse índice cai para 65%. “Trata-se de um mercado extremamente polarizado e de difícil espaço para concorrência”, comenta Álvares. Outra tendência apontada na pesquisa é a de que o mercado brasileiro de agrotóxicos se estrutura de tal maneira que as dez maiores indústrias não competem entre si. “Mesmo no caso em que as patentes estão vencidas, tirando raras exceções, as empresas focam a produção em agrotóxicos com ingredientes ativos que não são comercializados pelas demais empresas, o que gera uma espécie de monopólio sobre os produtos”, diz o diretor da Agência. De acordo com a pesquisa da Anvisa, essa tendência de polarização do mercado também ocorre em escala global. As 13 maiores empresas de agrotóxicos detêm o controle de 83% do mercado mundial do setor. Segundo o coordenador do Observatório da Indústria de Agrotóxicos, esse mercado se configura como um oligopólio com elevado grau de concentração. “A própria estratégia oligopolistas estabelece cooperação entre as empresas que já estão no mercado e barreiras para as que estão de fora”, concluiu Pelaez.

Enquanto, nos últimos dez anos, o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, o mercado brasileiro cresceu 190%. Em 2008, o Brasil passou os Estados Unidos e assumiu o posto de maior mercado mundial de agrotóxicos. Em 2010, o mercado nacional movimentou cerca de U$ 7,3 bilhões e representou 19% do mercado global de agrotóxicos. Já os Estados Unidos foram responsáveis por 17% do mercado mundial, que girou em torno de U$ 51,2 bilhões.

Danilo Molina – Imprensa/Anvisa
http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/anvisa+portal/anvisa/sala+de+imprensa/menu+-+noticias+anos/2012+noticias/agricultor+nao+tem+acesso+a+50+dos+agrotoxicos+registrados

terça-feira, 20 de março de 2012

Agricultores têm até julho para devolver estoques de agrotóxicos proibidos

 Produtores rurais ou instituições paranaenses que em 2009 declararam ao governo a posse de BHC e/ou outros agrotóxicos proibidos por lei deverão agora fazer a devolução do produto. O prazo vai de março a julho, variando entre os 20 armazéns do Estado licenciados para receber temporariamente os agrotóxicos, que depois serão incinerados (ver calendário anexo). A ação visa retirar do campo os agrotóxicos obsoletos, em especial os organoclorados, cuja fabricação, comercialização e utilização estão proibidas por lei no Brasil.

O Paraná tem cerca de 2 mil agricultores e instituições cadastrados como detentores de estoques de BHC e outros agrotóxicos proibidos. Eles declararam a posse de mais de 600 toneladas de produtos, em diversas regiões do Estado, e foram amparados pela Lei Estadual n° 16.082/2009, que os isentou de quaisquer sanções cíveis, penais ou administrativas relacionadas à posse desses agrotóxicos.

Os procedimentos para devolução estão a cargo da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (por meio do Instituto das Águas, AguasParaná e Instituto Ambiental do Paraná) e da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, por meio da Emater. Entidades do setor privado – o Sistema Ocepar, o Sistema Faep e o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias – também se uniram à iniciativa, para viabilizar o cadastramento, recebimento, transporte e destinação dos produtos. Para o acondicionamento e transporte dos produtos aos armazéns temporários, a Emater e os sindicatos rurais entregarão aos produtores rurais kits de segurança personalizados contendo sacos de acondicionamento, equipamentos de proteção individual (EPI) completos, folhetos explicativos sobre os procedimentos da operação, incluindo os locais para a devolução.

O kit também inclui uma cópia da portaria do IAP para transporte do material, que deverá ser apresentada na devolução, juntamente com a via da autodeclaração feita em 2009 e os dados cadastrais do declarante (nome, endereço e documentos). Ao devolver o agrotóxico os produtores receberão uma certidão atestando a entrega e isentando-os de responsabilidade sobre os produtos. Emater, em conjunto com sindicatos, vai entregar os kits.


quinta-feira, 15 de março de 2012

MT terá formulário sobre aplicação de agrotóxicos

Nova obrigatoriedade para os produtores rurais no Mato Grosso sobre a aplicação de defensivos agrícolas.

Preencher 17 itens de um questionário sobre a forma de aplicação de defensivos agrícolas nas lavouras. Este é o novo “tema de casa” dos produtores mato-grossenses. A nova exigência foi intitulada pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), como Guia de Aplicação, que é uma cobrança antiga, mas que será colocada em prática somente neste ano.

Os agricultores terão que preencher os produtos utilizados no campo nos casos de pulverização terrestre com equipamentos tratorizados ou autopropelidos. O não cumprimento das normas pode resultar em notificação e até em multa.

Conforme o engenheiro agrônomo responsável pela unidade do Indea, em Sinop, Marcelo Magalhães Pioli, a aplicação de agrotóxico realizada de forma inadequada pode, por exemplo, ao invés de matar as ervas daninhas, atingir a plantação da fazenda vizinha. “Se a pessoa não tiver preparo, ou equipamentos apropriados na hora da aplicação de agrotóxicos, pode acabar atingindo lavouras de outras propriedades, e são vários fatores, como corrente de ar, má utilização de equipamentos, entre outros”.

Nestes casos, os produtores prejudicados devem procurar os fiscais do Indea para denunciar e especificar os prejuízos. A partir da denúncia, o Instituto abre um procedimento para investigar, e, se caso for comprovado, o autor é obrigado a ressarcir o prejudicado e ainda pagar uma multa que pode variar entre R$ 9,254 a R$ 46,270.

O gestor do núcleo técnico da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Eduardo Godoi, explica que o produtor deve estar com a guia devidamente preenchida quando houver fiscalizações do Indea na propriedade. "Após a aplicação dos defensivos agrícolas, as guias deverão ser preenchidas, assinadas e arquivadas por um período de dois anos para que quando houver fiscalização do Indea o produtor tenha tudo em mãos e evite multas".

No questionário, o empresário rural deve informar a temperatura ambiente na hora da aplicação, direção e velocidade do vento, entre outros quesitos. Para não confundir, o Instituto e a Federação deverão realizar palestras orientativas em alguns sindicatos rurais do Estado sobre o assunto. "Os técnicos do Indea farão palestras informativas nos sindicatos explicando como este guia deve ser preenchido, como é o procedimento, as verificações e as fiscalizações e esclarecer as dúvidas dos produtores".

Publicado pelo site Agro Notícias MT. Só Notícias/Aline Dessbesell, de Sorriso

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ministério aprova uso de biofungicida contra vassoura-de-bruxa

Material publicado no Boletim Diário FAEP reporta aprovação de produto para controle de importante doença na lavoura cacaueira.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) certificou o registro do biofungicida Tricovab, para combate no campo ao fungo da vassoura-de-bruxa. A certificação encerra processo iniciado há 10 anos pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e inclui bula e rótulo definitivos. O biofungicida foi desenvolvido pela Ceplac a partir de técnicas que usam um fungo natural e antagônico ao fungo Moniliophtora perniciosa, causador da doença nos cacaueiros. A vassoura-de-bruxa devastou a lavoura baiana no final dos anos 80, fazendo a produção cair de 460 mil toneladas para menos de 120 mil toneladas na década seguinte.



O coordenador técnico-científico da Ceplac, Manfred Müller, acredita que a certificação é a última etapa do processo que demandou tempo e estudos do Comitê Técnico de Assessoramento. O comitê é composto pelo Ministério da Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgãos responsáveis pela regulamentação de agrotóxicos e biofungicidas no País.



"Os pesquisadores da Ceplac se desdobraram na busca de solução natural com alto potencial de controle da vassoura-de-bruxa, sem riscos ao meio ambiente e aos produtores de cacau e colaboradores", avalia Müller.



O biofungicida Tricovab é obtido através da fermentação do fungo Trichoderma stromaticum em laboratório. Trata-se de um produto natural que não causa agressões ao meio ambiente. "Além disso, é comprovadamente eficaz quando diluído em água e pulverizado na plantação de cacau, já que inibe a reprodução do fungo da vassoura-de-bruxa em até 99% no solo e em quase 57% na copa das árvores do cacaueiro", explica o chefe do Cepec, Adonias de Castro Virgens Filho.

O Cepec será responsável pela divulgação da aplicação do produto nas propriedades rurais.



Praga histórica

A vassoura-de-bruxa é uma praga natural histórica da Região Amazônica, sendo considerada uma das mais ameaçadoras do cacaueiro. Quando não se adotam medidas de controle no aparecimento, a praga se espalha rapidamente através do vento e da água, comprometendo completamente a produção.

Atualmente, a doença constitui o maior problema fitopatológico do estado da Bahia e, talvez, do Brasil. A doença é originária da bacia amazônica e só foi detectada no sul da Bahia (microrregião de Ilhéus-Itabuna) em 1989. De 1991 para 2000 o Brasil teve sua produção anual reduzida de 320,5 mil toneladas para 191,1 mil toneladas, caindo a sua participação no mercado internacional de 14,8% para 4%.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Embrapa descobre nova espécie de inseto

Fonte(s): Embrapa

Pesquisadores da Embrapa Clima Temperado (Pelotas/RS) descobriram uma nova espécie de inseto, parecida com um mosquitinho comum, pequena – o macho mede 0,3cm – e que tem como hábito atacar pés de araçá. O novo artrópode recebeu o nome de Elachypalpus psidii.
A ação do inseto nos araçazeiros forma galhas na planta, espécie de tumor que rouba nutrientes e diminui a produtividade. A descoberta de uma nova espécie é um fato incomum na pesquisa brasileira e vai facilitar a pesquisadores e agricultores entenderem a origem de possíveis galhas em um pé de araçá.
Segundo o pesquisador Dori Edson Nava, um dos responsáveis pela descoberta, a nova praga não causa grandes danos ao fruto quando a contaminação for pequena. Em caso de grande quantidade, ela pode dificultar a realização da fotossíntese e comprometer a produção. “Descobrimos que era uma nova espécie pelo formato diferenciado dos tumores - forma de barril – e, depois, analisando a anatomia do inseto”, comenta Nava. “Estamos buscando alternativas para controlá-lo”, expõe.
O Elachypalpus psidii é da ordem dos dípteros, a mesma da mosca comum. A existência da espécie foi desvendada por uma pesquisa feita pelo Laboratório de Entomologia da Embrapa Clima Temperado e catalogada pela taxonomista Valéria Maia, do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Coletor de esporos apresentado no Show Rural Coopavel

O Show Rural Coopavel sempre traz inúmeras novidades tecnológicas para os participantes. Uma delas apresentada este ano é o coletor de esporos. Nada mais é do que um tubo com uma lâmina contendo uma fita dupla face instalada no seu interior. A ideia é bem simples: os esporos presentes no ar são coletados por este tudo e ficam presos nessa lâmina. Utilizando um microscópio, os técnicos identificam os esporos coletados e recomendam ou não a aplicação de fungicidas.

Esse equipamento permite o monitoramento das doenças, o que é extremamente importante para a realizar a aplicação de agrotóxicos. Lembrando que além dos benefícios ambientais advindos da redução do uso de agrotóxicos ocorre também uma redução considerável do custo de produção.

Maiores informações poderão ser visualizadas no site Negócios da Terra .

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Anvisa lança cartilha com orientações sobre agrotóxicos

Créditos: Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou uma cartilha com orientações para trabalhadores rurais que trabalham com agrotóxicos. O objetivo é que eles saibam como evitar intoxicações. De acordo com os dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 2009, foram registradas 188 mortes por agrotóxicos e 11.641 casos de intoxicação. O agrotóxico de uso no campo é a segunda causa de intoxicação no país, ficando atrás apenas dos medicamentos, que somaram 26.540 registros no mesmo ano. A cartilha também está disponível para download no site da Anvisa (arquivo PDF - 6,48 Mb).

A cartilha cita quais são os principais sintomas de intoxicação aguda, seja pela respiração, boca ou contato com a pele, e como a pessoa deve agir. Alguns dos efeitos são inchaço no corpo, alergias, dor de cabeça, câimbras, vômitos, dificuldade de respirar e irritação na pele. Nos casos agudos, a contaminação pode provocar impotência, aborto e depressão.

O material orienta o agricultor a comprar o agrotóxico seguindo as recomendações de um agrônomo, que vai indicar a substância adequada para o tipo de plantação e a dose certa. Outras dicas são sobre o transporte, armazenamento e descarte correto das embalagens.

De acordo com a Anvisa, 20 mil exemplares da publicação foram distribuídos para as vigilâncias sanitárias estaduais, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e os ministérios da Agricultura e Saúde.

FONTE

Agência Brasil
Carolina Pimentel - Repórter
Lana Cristina - Edição